BANDA PELO MENOS

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Anjo Macaxeira!

O Anjo Macaxeira! 
CONTO ESCRITO POR ORLANDO OLIVEIRA
LANDO
MARINA
JORJÃO
JOSIAS
MAX
LANDO
BOLINHO
LANDO E EUGÊNIA
ANA RITA



O Anjo Macaxeira!

     Macaxeira era um jovem que viveu sua vida toda embriagado.
Seu semblante era de um anjo... Morreu de cirrose Hepática.
Suas histórias eram sempre engraçadas.
    Lembro-me de um dia e isso se repetia todos os dias de sua vida.
Perambulava pela cidade e a noite se chegava na portaria da Petrobrás, na cidade de Carmópolis, município de Sergipe.
Aparecia como do nada, sempre alterado, chamando os vigilantes de cornos.
    _"São tudo corno!" afirmava macaxeira, exigia uma quentinha de forma engraçada, pois nunca faltara a comida naquele horário. Todos já sabiam e guardavam sua alimentação.
     Macaxeira era um jovem de aproximadamente vinte cinco anos, sem família para orientá-lo muito menos para dar-lhe conselho.
Quem fazia esse aconchego eram os próprios vigilantes. "_Macaxeira deixa de beber, você vai acabar morrendo..." e assim foi o fim de Macaxeira, como foi...
     Toda noite, logo após comer bastante, descansava. Fazia sob a supervisão dos vigilantes de forma tranqüila. Tinha certeza que estava seguro ali, sabia que nada aconteceria, que ninguém se atreveria a lhe fazer mal, enquanto dormia.
    Macaxeira sempre acordava mal humorado, começava a soltar seus palavrões em todas as direções, não respeitando ninguém que adentrava a empresa. Sabendo  disso, um dos vigilante o chamou e fez um trato. "_ Quando você começar a falar palavrões eu grito daqui: _Macaxeira e o nosso trato? Aí você se lembra e para certo?"  Certo! responde Macaxeira. "_Senão, não tem mais quentinha no outro dia certo?"
O anjo concordou.
    É chegado o dia e com ele vem alguns vendedores de mingau, frutas e camarão, se instalam nas proximidades da portaria.
   Chegam os primeiros trabalhadores, um e outro tiram uma brincadeira com Macaxeira, já sabendo do seu gênio. A figura não perde a oportunidade e começa sua xingação: "_corno, cambada de corno, sua mãe, aquela puta..."  Nesse momento aparece o vigilante e grita: "Macaxeira e o nosso acordo? "_Que acordo? O que eu como sua irmã e você come a minha?"
    Todos nessa hora começam a rir o vigilante já todo descabriado fala: "_Mas macaxeira, minha irmã é freira. "_Aí eu como assim mesmo!" Foi uma algazarra, os funcionários caíram na risada e até hoje se revive esse episódio verídico.
     Quando qualquer um que brincava com Macaxeira chamando-o pra briga, ele nunca relutou, se armava de punhos para baixo e quando o oponente se aproximava, ele falava: "_Você não vai bater em um anjo, vai?" O cabra dava meia volta e saía rindo.
     Pra tomar sua cachaça ele pedia: Me dê um riacho aí, pra que Macaxeira? Par eu tomar um bico de ferro. Um riacho era um real e um bico de ferro era uma pinga, pedra 90.      Foi um fato verídico que aconteceu no cotidiano daquela cidade, daqueles funcionários. Macaxeira um verdadeiro anjo, tinha medo de sapo e de assombração e nunca fez mal a ninguém!
    O vigilante dessa história chama-se Jonaldo Feitosa. Sua irmã realmente é freira.
    O porquê do nome Macaxeira, ninguém sabe, mas toda cidade o conhecia assim. Ilustre maltrapilho, sem rumo, sem destino, desgarrado da sociedade como um bezerro sem dono. Porém mantinha-se uma inocência perene diante da sobrevivência. Um dia o anjo adormeceu para sempre, deixou na história, sua gota de oceano.
   
 Escrito em 09 de dezembro de 2011, por Orlando Oliveira.
http://www.recantodasletras.com.br/contossurreais/3379472

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