BANDA PELO MENOS

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O BOI FUJÃO!


   O BOI FUJÃO!
EU E LANDO

JAPA E DEISE
LANDO E EU

EU E LANDO


  O BOI FUJÃO!
     Vou contar uma história que ouvira certo dia, falada com emoção, pois é de prender a atenção. 
Tava eu a escutar que certo dia um fazendeiro muito rico que acabara de comprar mais um boi.
     Nada de novo ou coisa do outro mundo, pois o seu costume habitual era de comprar e vender bois, boiadas inteiras. Se não fosse um boi diferente, podemos dizer assim, um boi fujão.
    Já tinha acertado o valor a ser pago e os papéis passados, então dali por diante seu dono já era Lalá, vamos assim chamar. 
Lalá, um homem de uma história de fazer inveja, um lutador, de vitórias e de muito sacrifício. 
    Um homem inteligente, daqueles que sempre anda a muitas léguas, anos luz em pensamentos de distância, dos demais amigos.
Seus pensamentos polêmicos e ideologias aguçadas, um ser que tenta através das palavras mudarem o mundo com suas colocações afloradas.
    Muitas vezes é preciso paciência e reflexão para sintonizar e poder acompanhar seu raciocínio.
Porém, muito aprendemos e nos conscientizamos com suas colocações inteligentes.
     Lalá foi monitor de pequenos infratores, da FEBEM.
Foi atleta e também corredor de MotoCross. Entre outras atividades.
     Lembro e faz certo tempo atrás que tive a oportunidade de assistir uma dessas corridas.
     Lá estava aquele homem que atraía as atenções, primeiro por sua estatura franzina, sempre de botas de cano longo e carregando consigo um sorriso marcante.  Segundo por sempre estar em ambientes cercado de televisão, repórteres e pessoas da alta sociedade de Sergipe.
     Longe de citar aqui descriminação ou fazer qualquer alusão ao racismo. Outra coisa que chamava a atenção era a cor dele, um negro que sempre estava rodeado de belas mulheres e isso fazia com que eu cada vez mais sentisse admiração, respeitando e me tornando seu fã. 
     Mas como o mundo dá mil voltas e as vidas se encontram, tive a oportunidade de conhecê-lo, de conviver e de trabalhar na mesma labuta até os dias de hoje.
     Lalá foi também professor de matemática, de física, em uma época em que as distâncias eram realmente distantes devido à falta de estrutura da jovem cidade de Aracaju. Nas vias de transporte por exemplo.
     A cidade era apenas uma criança que só tinha corpo de menino em formação.
     Precisou morar e pernoitar em conventos, seguir rigorosas normas de conduta, isso tudo longe de seus familiares.
     Um menino que cresceu entre todas as adversidades de sobrevivência.
     Conseguiu vencer, hoje já aposentado pelo, mas sempre na labuta e com suas idéias aguçadas.
     Já promoveu festivais diversos e encontros de talentos de repentista, promove festas e corrida de argola em seu parque de vaquejada particular. 
     Promove uma verdadeira festa ao colocar um boi inteiro no espeto!  O famoso e admirado boi no rolete.
     Boi no rolete é um boi que fica assando por inteiro, depois de temperado com ervas, condimentos e cheiro verde.
     Amante da boa música e admirador de talentos natos, fã de Tom Zé, Dominguinhos, Luiz Gonzaga, o eterno rei do baião e muitos outros artistas renomados. Gosta da verdadeira e autêntica música popular brasileira.
     Não sei o valor acertado pelo boi em questão, mas o danado dera um prejuízo incalculável para Lalá, visto que como o título exprime... (Boi Fujão) O boi nem chegou a suas mãos como de fato na época, só muito tempo depois. 
     Fugira em disparada sem tomar conhecimento nem mesmo atender aos vaqueiros que os tentava laçá-los.
     Diante dessa circunstância, e não podendo fazer nada.
De mãos atada literalmente resolveu aguardar o desenrolar dos fatos.
     A situação estava ficando cada vez mais crítica, o boi fujão dera um salto pela cerca e tomou rumo ignorado se distanciando cada vez mais dos vaqueiros que os perseguia.
     Correndo em disparada o mesmo alcança o Rio Vaza Barris, localizado ao sul da capital de Aracajú, proveniente da cidade de Caueira.
     Atravessou o Rio Vaza Barris, chegando a outra margem e já se alojando em um terreno de propriedade particular e desconhecida, Indo diretamente até um pequeno banheiro do caseiro, transformando o pequeno recinto em ruínas, um verdadeiro furação passara naquela propriedade.
     Continuando com sua fuga desenfreada, o mesmo segue em direção ao centro da cidade de Aracaju, seguindo a Av. Mélico Machado.
    A procura continuava e só se ouviam os comentários do boi fujão, nessa altura o Lalá já se questionava: “o que eu faço? Vou atrás do antigo dono pra desfazer o negócio ou corro em busca dos prejuízos?”
     Ainda eram poucos os prejuízos a contar, o pior ainda estava por vir.
     Seguia o boi, sempre em disparada e sem tomar conhecimento nem atender ao comando de ninguém.
     Já na Av. Contorno ainda era uma estrada de terra com piçarra, ou seja, nada de asfalto, se tratava ainda de uma estrada deserta ou com pouco movimento. Foi então o momento em que o boi adentrou a Av. Hermes Fontes, essa por sua vez já com certo melhoramento e um considerado movimento.
     Daí era que os prejuízos aumentavam cada carro estacionado a margem da avenida era arranhado, machucado. Só se via gente a reclamar e questionar, de quem era aquele boi?
     Não foi nem um nem dois veículos amassados, foram vários e o danado continuava a sua aventura de destruição.  Já estava na Av. Pedro Calazans com direção ao mercado central, nesse momento já tinha a polícia alertada e de prontidão para tentar barrar o boi. Adentrou no mercado, municipal, sorte que já passava das 17h00min e estava sem movimento, pois já havia fechado.
   Não havia mais ninguém para ser machucado ou ferido pelo enfurecido boi que fugia em disparada da propriedade de seu antigo dono da Caueira.
     Já na rua da frente, às margens do Rio Sergipe mais precisamente na Ponte do Imperador, monumento construído para servir de desembarque de D Pedro I e sua comitiva. Hoje um monumento histórico e turístico da cidade de Aracaju, a famosa Ponte do Imperador.
     Cercado por sua vez, o boi se viu já cansado, acuado e não lhe restava alternativa, se não pular e nadar o Rio Sergipe.  Rio que separa a cidade de Aracaju com o município mais próximo que é a Barra dos Coqueiros.
     Já era noite e a caçada terminara por esse dia, mas o mais novo dono do boi, não o perdia de vista, que dessa vez separou-se da sua mais nova aquisição, o boi fujão. Passara alguns dias à procura do boi, quase sem esperança de recuperá-lo, depois de umas conversas com populares chegou ao seu paradeiro. 
    Lá estava ele o boi fujão, junto com outros animais comendo tranqüilo, parecia que jamais passara por tanta aventura. Agora é só falar com o dono desse curral que aquele boi pastando sereno e bem tratado era de sua propriedade que fugira da cidade de Caueira.
     O dono do sítio em que o boi estava, já se considerava ‘dono’ do animal. Um senhor de poucas palavras, diga-se de passagem, um homem brabo, matador, segundo populares, briguento, que falou: 
“O boi apareceu aqui muito mal tratado e depois de destruir minha plantação, varal, cerca etc.".  Esse será seu de novo se arcar com todos os prejuízos causados na propriedade, que por enquanto é só o da propriedade. Assim o fez, pagou um punhado de dinheiro e finalmente conseguiu colocar o boi em um dos seus caminhões e o transportou ate sua fazenda, passou muito tempo em sua propriedade, depois foi  negociado e passado a outro dono.
     Os prejuízos causados até então nunca foram reivindicados por quem os sofreram, mesmo por que após a última vez que atravessou o rio Sergipe o mesmo foi considerado desaparecido e não se teve mais  notícias do Boi Fujão.

Essa história foi escrita em 03 de janeiro de 2011, por Orlando Oliveira depois de ter ouvido da própria pessoa que viveu essa experiência.
PS: Na verdade essa história do aconteceu com uma vaca e não um boi!


Comentários
09/07/2011 00:57 -
Olá. Interessante conto. Até mais.

25/06/2011 15:22 - Orlando da Banda Pelo Menos
Graça Noronha,seu comentário para me é de grande importância, sempre obrigado pela presença constante e incentivo próprio carinhoso, fica com Deus, abraço. Orlando


17/05/2011 14:47 - graça Noronha
orlando,amei a história do boi fujão.diga-se de passagem estou do lado do boi kkkkkkkkk abraço.Graça Noronha

17/02/2011 01:47 - Orlando da Banda Pelo Menos
Maria Mineira suas palavras são como um balsamo que preenche e empurra com forma de dar forças a qualquer iniciante, obrigado pelo carinho. Esteja sempre com Deus. Orlando

13/02/2011 21:38 - Maria Mineira
Li seus textos, gostei muito de seu modo de contar causos. Também sou novata aqui no recanto. Seja bem vindo !
11/02/2011 23:45 - Orlando da Banda Pelo Menos
Meu jovem amigo Geraldinho,fiquei muito feliz em receber do senhor esse comentário,estar sendo muito importante para me que estou me arriscando em contar minhas histórias e segredos.Esteja sempre com Deus. Orlando

10/02/2011 18:19 - geraldinho do engenho
Seja bem vindo ao Recanto da Letras Orlando...Parabéns amigo seu estilo literário cristalino e agradável prende o leitor ao texto...Que estas publições sejam o ponto de partida para muitas outras que virão para enriquecer a literatura recantista!Abraços.

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